Razões para implementar a função da Auditoria Interna

A velocidade com que se processam as mudanças em todos os setores sociais e econômicos, particularmente no que diz respeito à expansão na área de comunicações (Internet), à globalização da economia e ao surgimento de mercados comuns faz com que a avaliação de cada segmento profissional nesse novo contexto seja considerada oportuna para redirecionar ou reafirmar a sua linha de ação.

A Auditoria Interna, assim como outros segmentos profissionais, tem sido impactada por esse processo, quando o mercado passa a exigir mais dinamismo e qualidade no fornecimento de produtos e na prestação de serviços, provocando uma postura mais criativa do gestor

Importa que a Auditoria Interna, no assessoramento à alta Administração, contribua para o cumprimento da missão empresarial, e para isso esteja preparada e com suporte adequado para que possa cumprir sua missão com eficácia e eficiência.

1-   AINDA HOJE…

A  Auditoria Interna, para muitos, conserva uma conotação policialesca e Repressiva.

Pesquisa, a demonstrou que a percepção por parte do administrador e dos auditados com relação a uma atitude policial por parte de alguns auditores não é totalmente improcedente, posto que a estes faltam o perfil emocional apropriado, o treinamento adequado e uma visão sistêmica que os suportem na sua atuação enquanto consultores e não apenas como verificadores do cumprimento de normas e identificadores de falhas.

2-   VISÃO SISTÊMICA

O raciocínio sistêmico envolve uma mudança de mentalidade, deixar de ver apenas as partes para ver  o todo. Ele permite a integração dos conhecimentos visando um objetivo estabelecido, além de oferecer uma gama maior de recursos, mais opções quando da tomada de decisão, e facilitar a percepção das consequências geradas a partir de determinada ação.

A título de exemplo podemos citar as Auditorias Internas de algumas entidades pesquisadas, que mesmo detentoras de poderosos recursos tecnológicos, incluindo hardwares e softwares, não os operavam em seu pleno potencial, utilizando deles, algumas vezes, apenas o processador de textos e a planilha eletrônica de cálculos, por falta de  visão mais ampla dos recursos de que dispõem, das necessidades dos gestores e, em consequência, da melhor forma de suprí-las.

A Auditoria Interna é responsável pela avaliação da eficiência e da eficácia da entidade e, portanto, co-responsável pelo seu resultado.

Fornecer informações que subsidiem os gestores da companhia no cumprimento cada vez melhor  de sua missão é a tarefa mais importante da Auditoria Interna.

Assim, entendo que a Auditoria Interna, para cumprir sua missão com eficiência e eficácia, precisa atuar de forma sistêmica, ou seja, confrontando cada parte analisada com o objetivo global da entidade


3-AVALIAÇÃO INDEPENDENTE

O Audibra registra:

” A independência situa-se não apenas no livre acesso a informação, documentos e dependências da organização, mas, principalmente, na liberdade de programar seus trabalhos, executá-los e relatar os resultados consoante sua livre iniciativa, sem interferência.

A indepedência permite aos auditores internos exercerem julgamento imparcial e sem tendenciosidade, que é essencial à realização de uma boa Auditoria. O posicionamento dos auditores na organização, sua objetividade, sua autonomia gerencial e o respaldo fornecido pela Alta Administração são fatores preponderantes para essa independência”

Ex. Reino Unido –  Onde o Auditor Geral  é  nomeado pela Rainha para exercício vitalício do cargo.

4-PARCERIA

A  Auditoria Interna pode realizar trabalhos de forma compartilhada com profissionais de outras áreas, situação em que a equipe deverá fazer a divisão de tarefas segundo a habilitação técnica e legal de seus participantes.

Por outro lado, o administrador deve reconhecer no auditor um parceiro, um assessor, que tendo um conhecimento abrangente da entidade e minucioso na área auditada pode provocar melhorias, subsidiando a sua tomada de decisão.

A imagem da auditoria em algumas entidades hoje, no entanto, não suscita esta interação . Muitos auditados continuam se sentindo vigiados e pouco assessorados, conforme se observou no decorrer dos trabalhos, o que é compreensível, considerando a forma de atuação de alguns auditores, arrogante e inacessível.

Entretanto, tal situação pode ser modificada, como também se identificou nas informações fornecidas pelos pesquisados, quando de nossas visitas às entidades, a partir da mudança da postura dos auditores e, principalmente, a partir do seu preparo técnico.

Características de personalidade, também, podem ser as razões de determinadas posturas de auditores, incompatíveis com a função. Para evitar tais problemas um bom processo de recrutamento deve anteceder a contratação ou a nomeação do auditor

A autoridade do auditor deverá residir na sua capacitação técnica, no conhecimento e na habilidade de relacionamento interpessoal, formando um conjunto harmônico capaz de desempenhar suas atividades profissionais a contento.

5-CONTROLES INTERNOS

Eficiência dos Controles:

Os sistemas de controle Interno são estabelecidos a partir de uma meta a ser atingida. Pode-se atingir tal meta de várias formas. O auditor deve estar preparado para indicar, se necessário, aquela que atinge o objetivo com um melhor resultado, ou seja, com qualidade e com um menor custo.

” eficiência diz respeito a método, a modo certo de fazer as coisas. Uma empresa eficiente é aquela que consegue o seu volume de produção com o menor dispêndio possível de recursos. Portanto, ao menor custo por unidade produzida”

Eficácia dos Controles:

O auditor, na análise do controle interno, deve indicar qualquer desvio nas atividades que possa vir a comprometer o cumprimento das políticas traçadas e recomendar a adoção de procedimentos pertinentes para evitar ou corrigir tal distorção.

” eficácia diz  respeito a resultados, a produtos decorrentes de uma atividade qualquer. Trata-se da escolha da solução certa para determinado problema ou necessidade. A eficácia é definida pela relação entre resultados pretendidos/resultados obtidos. Uma empresa eficaz coloca no mercado o volume pretendido do produto certo para determinada necessidade”

Melhorias:

O auditor deve ser capaz de provocar melhorias. Para tal, ele precisa estar bem treinado, atualizado com o que se passa dentro e fora da entidade, capacitado para indicar aos gestores ações alternativas que otimizem a utilização dos recursos da entidade.

Considera-se otimizar os resultados da entidade a utilização de forma eficiente dos recursos humanos e materiais da entidade, visando a um alvo estabelecido no planejamento. Este deve ser um esforço contínuo do gestor. O auditor pode contribuir para que o gestor seja o mais bem sucedido possível nesse empreendimento, apresentando informações úteis à tomada de decisões.

Subsídio à tomada de decisões:

A Auditoria interna desenvolve atividades de assessoramento, ou seja, ela pode recomendar mudanças organizacionais, mas não dispõe de responsabilidade ou autoridade para determiná-las.

O auditor pode assegurar-se de que cumpriu plenamente sua missão se contribuiu para que o gestor decidisse de forma ótima

É necessário que a comunicação seja feita de forma consistente, oportuna e objetiva, expressando a visão correta do momento vivido pela entidade, considerando-se que as informações variam de importância de acordo com as circunstâncias.

Fica claro, portanto, que ao auditor  não cabe tomar decisões administrativas, mas subsidiar os gestores nesta atividade.

Nossos Treinamentos ocorrem nas em várias cidades do Brasil, aborda de forma ampla e objetiva os assuntos aqui expostos de forma a reafirmar a importância da Auditoria Interna como parte integrante do sistema global de controle e gerenciamento de Riscos Empresariais.

Professor Ibraim Lisboa será palestrante na 4ª Semana de Auditoria Interna com o tema Como Implementar uma Auditoria Interna na sua Empresa

Coordenador Pedagógico da Escola de Auditoria, Consultor do Portal de Auditoria, Administrador de Empresas, Auditor, Contabilista, Perito, Pós-Graduado em Direito Empresarial e em Administração e Finanças, Mestre em Marketing, Consultor em Gestão Empresarial com 30 anos de experiência em Auditoria, Perícias, Prevenção de Riscos Empresariais e Investigação de Fraudes Corporativas. Membro efetivo do Instituto dos Auditores Internos do Brasil – AUDIBRA. Ministra Cursos e Palestras nas áreas de Segurança Patrimonial e Corporativa, Auditoria, Redução de Riscos e Custos com Passivo Trabalhista, Desenvolvimento e Gestão de Atividades Terceirizadas, dentre outros. Pioneiro, no Brasil, com o treinamento “Prevenção de Fraudes Corporativas e Riscos Empresariais”. Forte atuação em Treinamentos Empresariais realizados em todo o Brasil. Autor dos livros eletrônicos (E-book’s) Manual de Auditoria Interna, Como Formar uma Equipe de Auditores Internose Auditoria Interna Operacional, todas editadas pelo Portal de Auditoria – Curitiba/PR.

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Um comentário sobre “Razões para implementar a função da Auditoria Interna

  1. Ola,
    Mudança de postura e comportamento,
    Busco colocar em pratica os assuntos abordados e publicados por vocês,
    Estou no setor de auditoria a 02 anos,
    A empresa´possui mais de 3.000 colaboradores no ramo do varejo.

    A maior dificuldade:
    Os gestores aproveitarem a auditoria interna como um aliado na prevenção e realização das tarefas.
    Ainda veem como algo que pode prejudicar o andamento de seus trabalhos,
    Ou vem como um setor que (aponta os problemas)e constata que as norma não estão sendo seguidas (gestor adaptou ao seu estilo)esta funcionando, mas não esta conforme a politica da empresa.

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